EDUCAÇÃO AGRO SUSTENTÁVEL: AGRONEGÓCIO E SUSTENTABILIDADE – UFMS – Gestão e Extensão

EDUCAÇÃO AGRO SUSTENTÁVEL: AGRONEGÓCIO E
SUSTENTABILIDADE

Responsável: Prof. Dr. Rafael Rossi
Neste texto problematizamos a necessidade das Universidades e demais instituições que lidam com a Educação Escolar, investirem esforços em práticas educativas que prezem pela Educação “Agro Sustentável”. Trabalhamos há anos com o Ensino de Geografia junto ao curso de Pedagogia da UFMS e essa experiência, por sua vez, tem permitido constatar a importância de articularmos Educação; Agronegócio e Desenvolvimento Sustentável. Relatamos, nesse escrito, brevemente, as ações desenvolvidas com o Projeto de Ensino “Formação de Professores para o Desenvolvimento Sustentável”.
No conteúdo programático da disciplina “Fundamentos e Metodologias do Ensino de Geografia”; trabalhamos a relação “Sociedade e Natureza”. Debatemos com os alunos o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Partimos da premissa de que o desenvolvimento implica a ampliação das liberdades e das oportunidades reais que os indivíduos usufruem, conforme nos explica Sen (2000).
Nesse sentido, trata-se de compreender que a dimensão ambiental é um dos componentes do desenvolvimento sustentável, porém, este, abarca uma série de outros complexos sociais como a educação, o trabalho, a ciência, a arte, a agricultura, a ciência, a inovação, a tecnologia, o empreendedorismo etc. Num país como o Brasil em que a produção agrícola é um importante setor de nossa economia, entendemos que o agronegócio precisa ser entendido:

[..] numa perspectiva ampla e inclusiva, como um conjunto de estratégias e práticas que prezam pela produção agrícola, pela inovação científica e tecnológica, com base na preocupação com o meio ambiente, a economia e a sociedade. Esta proposição leva em conta os desafios que temos a lidar e, sobretudo, os avanços que ele tem permitido alcançar em inúmeras dimensões de nossa existência. Bioenergia, proteína animal, grãos e óleos são apenas alguns exemplos de ramos desse setor que tem possibilitado o desenvolvimento de tecnologias, inovação e sustentabilidade. (Rossi, 2024, p. 84)

Ou seja: precisamos compreender que o agronegócio é um sistema extremamente amplo e diverso. Na educação escolar e na formação de professores, em geral, predomina uma visão extremamente preconceituosa, reducionista e simplista sobre essa questão. Nós mesmos, em nossa formação inicial, tivemos acesso apenas a uma visão estreita e dogmática a esse respeito.
Contudo, quando estudamos ações da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural); ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e outras instituições e pesquisadores sobre o assunto; podemos verificar, na prática e na teoria, que o agronegócio é um setor da economia profundamente comprometido com o desenvolvimento sustentável.
Em nossas aulas de geografia, no curso de Pedagogia noturno do primeiro semestre de 2024, tivemos a presença da coordenadora pedagógica do SENAR/MS a respeito do campo de atuação dos/as Pedagogos/as no agronegócio. Essa palestra e intervenção foi muito relevante para abrir horizontes de análises de nossos estudantes e, igualmente, desmistificar muitos preconceitos e entendimentos superficiais a respeito do “agro” em nosso país.
A visita técnica ao SENAR/MS também foi um recurso pedagógico e geográfico indispensável. Conhecemos o “Campo de Excelência” e verificamos, na prática, uma diversidade enorme de plantios e de sustentabilidade naquela área de apenas 01 hectare: pomares de goiaba; limão; laranja e muito mais. Tudo isso permite concluir que o agronegócio possui uma série de práticas preocupadas com o desenvolvimento sustentável como:

1) o sistema de plantio direto, que consiste em semear o solo não revolvido, diminuindo custos e contribuindo para a sua preservação; 2) a rotação de culturas, que implica a utilização ordenada de diferentes culturas em uma mesma área em determinados períodos do ano, o que ajuda no aumento da produtividade e no controle de pragas; 3) Integração lavoura-pecuária-floresta; ou seja, é um sistema que engloba a pecuária, práticas agrícolas e florestais e contribui para a sinergia entre esses sistemas; 4) mapeamento dos recursos, que implica no planejamento organizado da utilização dos recursos naturais como a água e visa contribuir com práticas de uso de fontes renováveis e tecnologias mais eficientes e; 5) descarte de embalagens que envolvem o descarte correto dos recipientes utilizados pelos defensivos agrícolas; 6) agricultura regenerativa; 7) nutrição das plantas; 8) plano de fertilização; 9) tecnologia e agricultura de precisão; 10) integração produção sustentável e muitos outros. (Rossi, 2024, p. 90-31)

A Educação “Agro Sustentável” que defendemos, portanto, tem por base a análise científica do agronegócio, em suas potencialidades para a formação de professores e para o desenvolvimento sustentável. Trabalhar com essa temática possui inúmeras vantagens, dentre as quais, destacamos:
 A possibilidade de um ensino multidisciplinar: o agronegócio possibilita uma abordagem com diversos conteúdos disciplinares como ciências biológicas; geografia; língua portuguesa e matemática em face da realidade concreta; A valorização do conhecimento científico que permita compreender com base em dados, fatos e resultados acadêmicos a importância do agronegócio para a economia, a sociedade, a educação e a sustentabilidade, superando assim visões simplistas e preconceituosas que não valorizam o árduo trabalho e esforço de milhões de produtores rurais;
 Responsabilidade ética ambiental: em face dos desafios que temos a lidar enquanto humanidade na preservação dos recursos naturais e do crescimento econômico, investir esforços no estudo do agronegócio por meio do ensino, pode se constituir em uma estratégia promissora para que alunos e professores, cada vez mais, desenvolvam uma consciência responsável ética e ambientalmente referenciada;
 Incentivo à inovação e ao empreendedorismo: sabemos que a maior parte da pesquisa e da ciência em nosso país são produzidos pelas universidades públicas, então, também nesse aspecto, o agronegócio é muito promissor e relevante. Produzir tecnologias, práticas empreendedoras e educativas que se fundamentem na inovação e na agricultura sustentável se conecta com os objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU.
Todas essas potencialidades reafirmam a importância de um projeto amplo de Educação “Agro Sustentável” que seja promovida nos cursos de formação inicial e continuada de professores e demais profissionais que a universidade produz. O Desenvolvimento Sustentável é uma necessidade para nossos dias atuais e para as gerações futuras. Uma educação que defenda a ciência, o agronegócio, a inovação e as universidades precisa de atividades educativas, de pesquisa, extensão e empreendedorismo que defendam parcerias público-privadas com responsabilidade ética e ambiental.
Nós mesmos, já fizemos dois cursos online do SENAR/MS: “Educação Ambiental” e “Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta”. Esses cursos, junto ao estudo e ensino de uma ampla bibliografia dessa instituição e da EMBRAPA e ABAG têm contribuído de modo exponencial em nossa formação acadêmica, em nossa atuação de ensino e de pesquisa.
A UFMS tem se destacado nessa meta com: 1) a Diretoria de Desenvolvimento Sustentável que possui, como uma de suas várias competências: coordenar, acompanhar, monitorar, atuar e auxiliar nas ações de sustentabilidade ambiental, econômica e social; 2) a Rede UniSustentável com objetivo de “promover um ambiente de cooperação, intercâmbio e comunicação entre as instituições de Ensino Superior participantes, com o propósito de contribuir para a construção de uma sociedade mais sustentável” e; 3) a Agrotec que atua na área de bioinsumos; tecnologia de alimentos e; tecnologia para a sustentabilidade do agronegócio, sendo que a “ação da unidade consiste em fomentar a inovação desenvolvendo produtos e processos, sob demanda, para empresas e empreendedores de todos os portes”.
Uma Educação “Agro Sustentável”, desse modo, não pode abrir mão da ciência, da formação humana plena e de uma agricultura e sociedade que se orientem pelo meio ambiente, crescimento econômico e a sustentabilidade social.
Referências:
ROSSI, R. Ensino de Geografia, Agronegócio e Desenvolvimento Sustentável: Uma Articulação Necessária. Revista GESTO-Debate, vol.24, n. 06, p.74-94, jan/dez 2024. SEN, A. K. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras,
2000.
Realização: UFMS
Categoria: Ensino e Extensão

Ligações:

@ufmsoficial